Não tropeçamos em montanhas

Sandra Petroncare (*)
Marco César de Oliveira (**)

CORPORATE - GOVERNANÇA CORPORATIVA
 

Não tropeçamos em montanhas

Sandra Petroncare (*)
Marco César de Oliveira (**)

Não tropeçamos em montanhas, mas sim em pequenas pedras que estão no caminho. Este é, certamente, um ótimo paralelo para finanças pessoais e planejamento de pequenas e médias empresas.

Há uma capacidade muito grande para identificação dos grandes problemas, afinal quanto maior for o problema, mais fácil ele será, pois estará visível aos olhos. Alguns percalços financeiros podem ser identificados de longe e evitá-los torna-se um objetivo claro. Sendo assim toma-se caminhos novos e diferentes. Ao se identificar um grande problema instalado nas finanças, da empresa ou pessoal, empenha-se todo o esforço para uma solução rápida – mesmo que seja amarga – pois o problema deve ser solucionado e o vazamento de recursos estancado de imediato.

Uma curiosidade sobre a formação das montanhas afirma que elas surgem através de movimentos de placas tectônicas e estas criam os terremotos, vulcões e movimentam as próprias montanhas, fazendo-as crescerem ao longo de milhares de anos.

Esta informação chama atenção ao se fazer um paralelo com os grandes problemas financeiros, pois eles não começam grandes. Surgem, em geral, de pequenos problemas aos quais não se deu nenhuma ou pouca atenção.

Percebe-se que muitas famílias, tanto na física quanto na jurídica, não têm o mínimo planejamento financeiro, quer presente quer futuro, Algumas destas famílias, inclusive, detentoras de negócios ou empresas de pequeno e médio porte não têm um plano de ação, fluxo de caixa ou análise de receitas e despesas. E, muitas vezes, quando do falecimento de seu patriarca, seu fundador, perde-se o negócio por completo num curto espaço de tempo.

Se não se sabe com clareza e conhecimento de onde vêm e para onde vão os recursos é muito complicado acompanhar o desempenho, medir o progresso e planejar investimentos ou gastos. Se não se sabe o mínimo que seja sobre investimentos, tributação e sucessão familiar, nenhum planejamento será eficiente e satisfatório.

Uma avaliação das despesas e receitas dará a oportunidade de identificar pequenos gastos desnecessários, não autorizados ou incompatíveis com os recursos disponíveis para cada momento em questão. Assim como haverá a chance de se observar receitas possíveis, porém, muitas vezes, não trabalhadas.

Estas pequenas perdas são vazões que acontecem com a maioria das pessoas jurídicas na condução de pequenas empresas, assim como nas finanças pessoais. Ambas, se não são bem tratadas podem se tornar problemas maiores e generalizados, e de difícil solução.

Com um planejamento dos recursos e gastos, em que se busque com determinação o seu acompanhamento, será possível saber para onde ir, ter alvos e assim canalizar as energias, identificar as circunstâncias antecipadamente e reagir a elas, diminuindo a “bola de neve” em dívidas e problemas financeiros. O planejamento permite assumir o controle sobre as finanças e atividades, tornando-se pró-ativo e não reativo. E assim deve ser.

Tentar resolver sozinho os pequenos e grandes problemas financeiros da empresa ou das finanças pessoais, sem o mínimo de aconselhamento profissional, normalmente será uma maneira rápida de criar frustrações para si e para todos os que estão em torno: família ou funcionários. Portanto: não se acanhe, busque ajuda de um profissional qualificado!

Deixar de lado preconceitos contra este tipo de profissional, preconceito este muitas vezes enraizado na cultura de uma nação que vive sob altas taxas de juros, alta tributação na pessoa física e jurídica e que enfrenta a inadimplência, em geral, recorrendo ao Judiciário, pode levar a finais bem mais felizes. A contratação do planejador financeiro devidamente qualificado pode colocar as famílias e empresas numa etapa anterior à recorrência à Lei, numa etapa de efetivo planejamento das finanças e readequação do orçamento com eventual reestruturação dos negócio. Afinal, não tropeçamos em montanhas...



  • (*) Sandra Petroncare, CFP. Economista pela FEA USP, com Mestrado em Economia pela PUC-SP. Certificada pelo IBCPF como Certified Financial Planner. Atuou por 12 anos em departamentos de pesquisa econômica, junto às Mesas de Operações. Atual planejadora financeira e também professora universitária.

  • (**) Marco César de Oliveira: Economista pela PUC-SP, com MBA em Gestão Empresarial pela FIA-USP, sócio da CORPORATE Management Consulting. Atual consultor financeiro e também professor universitário.